Marketing Publicitário e de Varejo. João Marcos Mesquita faz uma avaliação sobre a profissão em Brasília.
Grupo Labor - Como você avalia o mercado de Publicidade, Propaganda e MKT? Como os profissionais recém-formados encontrarão o mercado hoje?
Nos últimos anos houve um acréscimo substancial de faculdades e cursos nessas áreas que passaram a gerar milhares de profissionais tornando o mercado mais competitivo. Assim o novo profissional deverá estar sempre atualizado, informado e atento para se destacar na atividade. Acho ainda que aqueles que se especializarem em construir estratégias vencedoras paras as marcas poderão alcançar postos de destaque no segmento.
Grupo Labor - É difícil criar uma unidade entre os objetivos e metas de um shopping, por exemplo, com todos os lojistas?
Tenho certeza que o maior desafio de qualquer gestor é gerar a unidade de interesse articulando os objetivos da empresa com os objetivos de seus fornecedores, clientes e colaboradores buscando a ampliação do mercado e a consolidação da marca. Em um shopping não é diferente. Identificamos as oportunidades, ameaças, fraquezas e fortalezas do nosso negócio e elaboramos estratégico mix de lojas que criam uma forte vantagem competitiva. E isso tem sido por 33 anos o sucesso do Conjunto Nacional.
Grupo Labor - A expansão do setor de shopping center no Brasil fez com que a imagem de seus administradores mudasse radicalmente nos últimos anos. O antigo estigma de "síndicos de condomínios" cedeu espaço para o status de "prefeitos de mini-cidades". Diante dessa evolução constante, a Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) decidiram criar o MBA Shopping Center para fazer com que a administração desses "prefeitos" acompanhe a velocidade das transformações do segmento. O que você acha disso? É um reconhecimento maior para os profissionais que trabalham em shoppings? Você aprova a iniciativa?
Antes de mais nada temos que quebrar um paradigma. Shopping center não é um prédio, é um negócio varejista, de grande porte, que chega a faturar mais de 1 bilhão de reais por ano. Há muito tempo deixamos de ser "caixotes de concreto". Hoje somos centros de conveniências, entretenimento e compras que precisam ter executivos capacitados e atualizados na atividade do varejo e em marketing para que continuem competindo nesse mercado. Precisamos estar mais dedicados aos resultados das diversas lojas, construindo estratégias vencedoras de mercado, de mix, de custos ocupacionais, de retorno aos acionistas e de relacionamento com o consumidor. Enfim somos cada dia mais homens de negócio e menos prefeitos de cidades.
Esse novo perfil do executivo de shopping é recente e certamente iniciativas como a da FGV só contribuirão para enriquecer a atividade e gerar mais talentos nessa área.
Grupo Labor - A posição dos shoppings centers é privilegiada no Brasil. O país é o décimo no mundo em quantidade de centros de compra construídos. Hoje, há 253 unidades, 229 em operação e 34 em construção. Fora à expansão do número de shoppings, os centros mais antigos também ampliam suas instalações e se atualizam, o que requer mão-de-obra mais qualificada. Apesar do cenário positivo, os shoppings recebem o reconhecimento e prestígio como geradores de emprego e promotores de tecnologia de ponta?
A indústria de shoppings é relativamente jovem no Brasil. Temos 34 anos, mas já conseguimos avançar muito nesse negócio criando alternativas diferenciadas para cada equipamento. O número crescente de shoppings e as constantes expansões demonstram a força da indústria na atividade econômica. A competência dos shoppings em desenvolver varejistas, renda e gerar milhares de empregos com baixo custo ambiental para as regiões onde estão instalados é expressiva e nem por isso recebemos do governo qualquer incentivo para ampliarmos nossos negócios no país.
Grupo Labor - Nos últimos anos, Brasília foi invadida por shoppings em toda parte. Qual o segredo do Conjunto Nacional para manter a fidelidade de seus consumidores, por tanto tempo e com tanta concorrência a sua volta?
O movimento no mercado de Brasília, na realidade reflete um pouco o que aconteceu em mercados mais maduros no país. A concentração de renda da região impulsionou interesses imobiliários e que agora precisam impulsionar interesses varejistas para que cada empreendimento encontre o seu posicionamento e seu mercado e com isso se desenvolva. Nosso segredo pode ser resumido em três palavras: trabalho cooperado, inovação e criatividade. Trabalho estratégico e focado no nosso negócio, articulando administradores, acionistas, lojistas e colaboradores na busca de soluções que nos mantenham sempre na liderança. Inovação nos processos gerenciais, de informação, nos relacionamentos com lojistas e fornecedores que nos permitam criar vantagens competitivas. E criatividade em todas a ações. Temos incentivado diariamente a criatividade dos nossos colaboradores. Isso, sem dúvida, é enriquecedor e tem trazido boas soluções para o shopping. E tudo isso só tem sentido quando o cliente, o nosso maior e principal patrimônio, reconhece essa diferença e nos elege como o melhor shopping da região ampliando a sua freqüência e suas compras fazendo do Shopping Conjunto Nacional um líder de mercado. Por último gostaria de ilustrar nossa filosofia com alguns resultados: Recebemos 25 milhões de consumidores em 2003. Nossas vendas alcançaram R$ 500 milhões no período e fomos eleitos o shopping e gerente de marketing do Ano pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings e pelo Visa.