Renato Ferraz faz um panorama deste segmento do jornalismo
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Renato Ferraz é jornalista e editor do Caderno Suplementos do jornal Correio Braziliense. Formado pela Universidade Católica de Pernambuco, trabalhou em órgãos da imprensa nacional como, Diário de Pernambuco e Revista Veja. São 16 anos de experiência, sendo que 11 deles dedicados ao Correio Braziliense. Em entrevista ao Departamento de Comunicação do Grupo Labor, Renato Ferraz faz uma breve avaliação sobre o relacionamento das Assessorias de Imprensa com os outros veículos de mídia.
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Grupo Labor - Como você avalia a eficácia das assessorias de imprensa para o trabalho da mídia?
Renato Ferraz - A eficácia é relativa. Varia de editoria para editoria. Em Política, por exemplo, as assessorias são geralmente provocadas - quando editores e repórteres necessitam de determinada informação e as procuram. Em editorias como cultura e suplementos (Turismo, Veículos) as assessorias têm um papel mais ativo. Em determinados estados, chegam a definir a pauta e a edição. Não é o nosso caso. Mas isso ocorre já que essas editorias trabalham basicamente com produtos (carros, computadores, discos, livros, lugares, etc). No geral, as assessorias são eficazes para tornar conhecido, no meio jornalístico, determinados produtos ou pessoas.
Grupo Labor - Descreva de que forma a imprensa busca informações e utiliza os serviços de uma assessoria.
Renato Ferraz - Novamente, há uma variação – seja de veículo para veículo, seja de editoria para editoria. A Editora Abril, por exemplo, só usa assessoria quando necessita mesmo. Ou, raramente, para aproveitar uma sugestão de pauta – e mais dificilmente ainda para editorias como Brasil ou Economia. Sempre aproveita em editorias como Cultura. Em jornais menores, o aproveitamento é maior – bem maior.
Grupo Labor - Aponte incompreensões, conflitos e preconceitos no relacionamento “profissionais da mídia e assessorias de imprensa”.
Renato Ferraz - Há um certo preconceito sim, que ocorre em função da falta de referência do profissional – e o raciocínio vale para os dois lados. Quem nunca militou numa assessoria não sabe que o assessor não está – sempre e apenas - vendendo a qualquer custo determinado produto ou pessoa e que não está ali para mentir. E o assessor neófito desconhece que o bom editor sabe como e quando aproveitar as sugestões de pauta enviadas pelas assessorias.
Grupo Labor - Indique os principais serviços úteis prestados pelas assessorias:
Renato Ferraz – a) Pôr o repórter em contato com editores e gerentes de empresas assessoradas, com agilidade. A maioria das empresas, felizmente, já age assim.
B) Propor pautas. E o melhor: é possível sentir uma mudança de cultura gradativa. Em vez de uma pauta somente sobre determinado produto, as assessorias já pautam sobre assuntos (e aí o produto entra). É uma esperteza, digamos, normal.
Grupo Labor - Renato, aponte um ranking de problemas e queixas mais freqüentes dos jornalistas:
Renato Ferraz – a) dificuldades sobre as informações – principalmente se consideradas sigilosas ou comprometedoras.
b) dificuldades em achar, muitas vezes no dead line do fechamento, o assessorado.
c) a insistência no envio de e-mail e faxes. Há assessores que mandam e-mail, ligam para o jornalista para saber se ele recebeu e ainda liga depois para perguntar se ele vai usar. É irritante.